Showroomer e o novo consumidor |
Showroomer e o novo consumidor

Um novo conceito vem confundido o empresário e pode fazer com que ele tome atitudes equivocadas para seu negócio. Termo tenta explicar a autonomia do consumidor atual

O consumidor nunca teve tanto recursos e facilidades para pesquisar produtos e serviços como nos últimos anos. Com isso, muitas lojas físicas e virtuais passaram a servir de vitrines para o público, que experimenta produtos ou serviços, mas acaba comprando em outros estabelecimentos.

Os celulares, tablets e smarthphones, por exemplo, são instrumentos que permitem ao público pesquisar produtos e preços rapidamente e até pedir opinião sobre o que pretende comprar para amigos, através do acesso fácil às redes sociais.

Alguns especialistas da área de negócios e marketing utilizam os termos “showrooming” (conceito) e “showroomer” (consumidor) para entender e analisar o comportamento desse público. As expressões, entretanto, podem confundir os empresários: muitos acreditam que o termo “showroomer” indica um grupo isolado de clientes, quando, na verdade, é um comportamento comum de grande parte dos compradores. Nesse caso, dificilmente existirá uma receita para impedir que os consumidores usem lojas e sites como vitrines.

Com destaque no mundo dos negócios, o “showroomer” já ganhou pesquisas que tentam explicar os seus hábitos ou formas de inibi-los. A consultoria norte-americana Harris Interactive, por exemplo, publicou, no mês de maio deste ano, um estudo que aponta que os consumidores norte-americanos utilizam lojas físicas e virtuais de redes como o Walmart e a Target para pesquisar preços, mas compram em outros lugares. O site Amazon, pela pesquisa, é quem leva a vantagem, pois o estudo aponta que aproximadamente 57% desses compradores optam por adquirir produtos nessa loja, que é uma dos que mais vendem nos Estados Unidos.

Se por um lado o público pesquisa produtos e preços em outros locais, por outro, a Amazon é uma das lojas online que oferece os preços mais baixos – tanto que é acessada, inclusive, por brasileiros, que encomendam itens no Brasil e solicitam a entrega para amigos que moram nos Estados Unidos, para ter a isenção das altas taxas de importação.

Maiores preços pedem estratégias bem elaboradas

O CEO da empresa Precifica, Ricardo Ramos, confirma que o valor final de um produto ou serviço é realmente o fator determinante na decisão da compra e na preferência por determinada marca, loja ou canal de venda. Para comprovar, Ramos fala da pesquisa realizada pela consultoria  GroupM, que mostra que 45% dos consumidores trocariam uma loja física para comprar online, caso encontrassem um desconto de 2,5%; 60% trocariam por uma diferença de 5%; enquanto 87% comprariam virtualmente por uma diferença de 20% no preço.

 
Entretanto, o especialista também acredita que outros fatores podem ser usados de forma inteligente pelos estabelecimentos que não conseguem chegar aos menores preços. “Alguns varejistas podem optar, por exemplo, pela precificação inteligente”, analisa Ramos.

 

“Monitorar a concorrência permite que uma loja identifique quais produtos estão com um preço muito acima do mercado. Desta forma, também é possível verificar quais produtos os concorrentes não têm em estoque e, assim, o vendedor – online ou offline – pode investir em promoções”, orienta.

 

Imediatismo, necessidade e desejo: lojas físicas saem na frente

 

Outra pesquisa, realizada pela Oracle, aponta que sempre haverá razões para o consumidor optar pelas lojas físicas. O estudo revela que o espaço físico de vendas oferece a vantagem da aquisição imediata do produto motivada pela visualização do item (75%) e pela necessidade ou pelo desejo de consumo (44%). Também são levadas em consideração as alternativas: economia com frete, já que muitas empresas de comércio eletrônico cobram pela entrega, e a possibilidade de pagamento em dinheiro, para aquelas pessoas que não usam cartões de crédito.
Cabe às lojas físicas investirem em pontos estratégicos de venda, procurar formas de cortar custos com alugueis ou manutenção ou mesmo franquiar o negócio. 

 

Netshoes, inovação inteligente

 

Um exemplo de ação inovadora para manter o “showroomer” dentro de uma loja virtual pode ser observada no aplicativo recém-lançado pela Netshoes, uma das líderes de vendas no e-commerce nacional voltado a artigos esportivos. A companhia desenvolveu um app disponível gratuitamente para plataformas Android (Google) e iOS (Apple), que permite ao usuário buscar modelos de tênis na loja virtual a partir de fotos.

 

O diretor de tecnologia da companhia, Rodrigo Nasser, em entrevista para a NoVarejo, esclarece que não há como evitar que a pessoa, o “showroomer”,  use a solução para adquirir os itens fotografados em outros sites. “Nesse caso, a Netshoes investe em benefícios exclusivos, como prazo de troca de 30 dias, enquanto grande parte das lojas online oferece de 7 a 10 dias – o que representa uma desvantagem para o cliente”, fala o diretor. Ele completa que o aplicativo, o Netshoes Click, não apresenta apenas o produto fotografado, mas também itens semelhantes, com diferentes preços.

 

Novo varejo pede redução de custos e marketing inteligente

Com a previsão de crescimento das vendas dos smartphone por institutos de pesquisa, a tendência é que cada vez mais, o público experimente e pesquise em um local e compre em outro. Os “shoowroomers” não são tão novos e nem um fenômeno, assim, o hábito do consumidor moderno dificilmente poderá ser manipulado por estratégias de marketing que não oferecem realmente vantagens para ele. Os varejistas que adotarem técnicas para inibir os consumidores correm o risco de prejudicar a imagem da empresa ou ter gastos desnecessários com soluções que não atrairão e manterão o cliente na sua loja.

 

Assim, os “showroomers” chegaram para ficar. É hora de o lojista diminuir custos que impactam diretamente no preço final de produtos e serviços; precificar corretamente produtos; conhecer a concorrência; investir em mão de obra qualificada da equipe, em tecnologias e logística; adotar promoções e estratégias válidas de marketing; atender corretamente o seu público; entre outras ações planejadas. Por esses caminhos, o negócio pode se continuar lucrativo e competitivo em um varejo cada vez mais ligado à tecnologia e à autonomia do público consumidor.

 

Fonte: Portal no Varejo

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