Nas ondas do RFID |
Nas ondas do RFID

Ainda em testes, a tecnologia de identificação por radiofrequência vai revolucionar o varejo e será o adeus às filas nos caixas.

Ainda vai demorar para que o código de barras seja substituído, mas o RFID (Radio Frequency Identification, ou Identificação por Radiofrequência), tem potencial para suceder a tecnologia no futuro. O RFID deixou de ser apenas mais uma sigla no segmento de automação comercial e começa a ganhar o chão de fábrica da indústria e os galpões logísticos. Nas prateleiras dos supermercados, no entanto, permanece apenas como projeto piloto. O custo ainda barra a implantação de etiquetas inteligentes, que utilizam a rede sem fio para acessar dados do produto armazenados em um microchip. Outro obstáculo é que a identificação de cada produto deve ser feita pelo fabricante e não começar no varejo.

O Pão de Açúcar testa a tecnologia em sua loja conceito inaugurada em 2006, no Shopping Iguatemi, em São Paulo. Na seção de vinhos, 365 tipos de garrafas são identificadas por tags que informam, por exemplo, o produtor, tipo de uva, região de origem e pratos com os quais combina quando o cliente aproxima a garrafa do leitor. As informações são mostradas em uma tela em um quiosque, próximo à prateleira.

Outra iniciativa da loja, mas não tão visível para o cliente, é o chamado carrinho inteligente. Alguns carrinhos levam a etiqueta e o consumidor vai escaneando as compras, podendo somar o valor antes de chegar ao caixa. Quando se aproxima do PDV, a etiqueta descarrega essas informações e a caixa registra a compra de forma mais rápida.

Aplicação em logística – Antes de disseminar para outras lojas, o Pão de Açúcar está expandindo sua expertise em RFID para a área logística, onde a tecnologia é mais útil hoje. Segundo Célio Guedes, coordenador de sistemas do grupo Pão de Açúcar, a empresa está iniciando um projeto piloto em um de seus centros de distribuição para rastrear as caixas que são enviadas para as lojas. “O sistema de logística tem grandes ganhos com as tags devido ao controle do conteúdo das caixas, permitindo rastrear o caminho do produto do depósito às lojas”, diz o executivo.

As caixas contêm um lacre e quando chegam à loja, não é necessário abrir e contar os produtos, como é o usual. Um coletor lê as etiquetas inteligentes e dá baixa no recebimento dos produtos. Pode-se rastrear o procedimento a qualquer momento. “O objetivo é rastrear, controlar e melhorar o processo de envio e recebimento de mercadorias”, diz Guedes.

Quando a caixa sai do centro de distribuição, passa por uma antena (portal) que lê a etiqueta e informa onde está indo e que produtos contêm, entrando ou saindo do centro de distribuição no caminhão. Segundo Guedes, o grupo está em fase de desenvolvimento de parceiros para etiquetas e dispositivos de leitura. “Devido ao custo, hoje o benefício das tags é mais na retaguarda do que nas prateleiras”, diz Guedes.

O custo das etiquetas inteligentes na tecnologia RFID em média é de R$ 0,50 ou um pouco abaixo, conforme o volume. Não compensa colocá-las em produtos que custam poucos centavos, por exemplo.
Para Guedes a RFID vai trazer uma revolução no mercado de varejo tão grande quanto o código de barras no passado. “Será a terceira onda de automação no varejo. Nossa expectativa é que ocorra em longo prazo porque a tecnologia ainda é cara e tem de percorrer todo o ciclo do produto, que começa com o fornecedor”, afirma.

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