Beacons: pega ou não pega? |
Beacons: pega ou não pega?

Beacons pega ou nao pega

Tecnologia de localização indoor adotada pelas lojas Apple têm grandes entusiastas, mas ainda não é unanimidade

 

Por Fernanda Bottoni e Erika Nishida

 

Pense numa espécie de GPS indoor, capaz de localizar com precisão por qual gôndola seu cliente caminha dentro da loja e enviar a ele ofertas altamente personalizadas, com base no seu histórico com a marca e, claro, na sua movimentação no ponto de venda

 

De forma simplificada é essa a tecnologia que os Beacons oferecem.

 

Não há consenso ainda se ela deve ou não pegar – especialmente por aqui – mas é fato que ela tem gerado bastante curiosidade especialmente depois de ser adotada pela Apple em suas lojas e rebatizada de “iBeacons”.

 

 

Como funciona

Como explica Sergio Percope, diretor da Pontomobi e um dos maiores defensores da novidade, os Beacons trabalham em conjunto com o smartphone do cliente, que deve estar com Bluetooth ativado e também deve ter um aplicativo da loja instalado. É ele que fala com o cliente, por push. “O aplicativo não precisa estar rodando, mas é nele que estará arquivado todo o histórico do cliente com a loja e isso, sim, é o que possibilita a oferta de mensagens praticamente individualizadas”, explica.

Percope afirma que muita gente pensa que os Beacons funcionam como as ações de Bluetooth de antigamente, em que o equipamento simplesmente emitia mensagem para quem estivesse com ele ativado. “Não é isso”, faz questão de ressaltar. “A tecnologia é muito mais personalizável.”

Para apresentar os Beacons ao mercado, a Pontomobi até fez uma demonstração divertida na Casa do Saber, em São Paulo. “Existem diversos fornecedores de Beacons e eles são vendidos em vários tamanhos e formatos muito divertidos”, diz Percope. No evento, os participantes que estavam na mesa do café recebiam, por exemplo, mensagens perguntando se tinham gostado do pão de queijo. “A ideia era mostrar a real proximidade que os dispositivos permitem que você tenha com o consumidor.”

 

 

Vida real

Como case real, Percope recorre às lojas da Apple. “Lá, quando o consumidor entra com o Bluetooth ativado, o Beacon reconhece sua localização e o aplicativo carrega todo o seu histórico de consumo da marca”, diz ele. “Se a sua última aquisição foi uma caixa de som, ele pode receber a sugestão de um equipamento complementar, um headphone, por exemplo, quando passar perto do produto”, conta.

Bruno Ruffo, CEO e cofundador da Kiddo Labs, também muito entusiasta da tecnologia, complementa explicando que os sensores dos Beacons são baseados na tecnologia bluetooth 4.0 ou BLE (Bluetooth Low Energy), que é uma evolução daquele antigo Bluetooth utilizado nas ações promocionais de meados dos anos 2000 . “A grande diferença é a precisão e, como diz o nome, o baixo consumo de energia”, explica.

Além de pequenos, os Beacons são extremamente precisos e possibilitam a distinção entre dois sensores a centímetros de distância. “Agora é possível identificar o consumidor que entra na loja, conhecer o seu trajeto ao caminhar pelas seções e apresentar, baseadas em seus hábitos de consumo, ofertas e informações exclusivas para cada produto com uma agilidade impressionante.”

Ele também cita a Apple Store como exemplo. “Se um cliente se aproxima de uma seção de iPhones com seu iPhone antigo, o sensor dispara uma mensagem sugerindo um upgrade de device, permitindo inclusive a compra pelo próprio celular”, diz ele

 

 

Evolução da espécie

Para Guilherme Santa Rosa, sócio da MoWa, que vê a adoção da tecnologia com mais desconfiança, embora a nova tecnologia prometa ser muito revolucionária e tenha grande potencial para isso, além de ter a Apple como defensora, é preciso manter um olhar crítico sobre ela. “Outras tecnologias nasceram de um jeito parecido e não foram revolucionárias”, diz ele. “O Bluetooh mesmo tinha uma promessa parecida e ia ser revolucionário, mas não foi bem assim”, lembra. “Não que a tecnologia tenha falhado, hoje quase todos os dispositivos têm Bluetooth, que é excelente para P2P, mas ele não revolucionou o marketing.”

Mentor Muniz Neto, CO & Partner do Talkability Group, também não se deixa empolgar muito pela novidade. Para ele, a precisão de GPS para algumas atitudes de marketing não é suficiente e existe, sim, essa carência de mapear os pontos de venda. Ele não está certo, no entanto, de que a solução esteja nos Beacons. “A logística e o preço de instalar esses devices em todas as lojas devem ser algumas barreiras”, acredita. “Eu tenho medo de dizer que alguma coisa não vai pegar, mas acho que agora, que o Google anunciou que vai mapear o interior de pontos de vendas e shoppings, possivelmente a tecnologia oferecida pelos Beacons não seja necessária.”

 

 

Dados indispensáveis

Para Percope, no entanto, o maior entrave à tecnologia não deve ser o hardware, nem o Bluetooth e nem o aplicativo. “O problema é que muitas marcas ainda não mantêm um histórico do relacionamento com o consumidor”, explica. “Elas não sabem o que ele costuma comprar, o que já comprou e é exatamente esse histórico que deve ser usado para criar as regras e aproveitar a tecnologia do Beacon para ser relevante para o consumidor”, explica. “Essa é a grande barreira e só vai funcionar bem para as marcas que já têm programas de fidelidade bem definidos.”

Santa Rosa concorda: “O nível de personalização da publicidade é que vai fazer a experiência boa”.

Por enquanto, não há notícias de pontos de vendas que já estejam utilizam a tecnologia por aqui, mas existem pilotos em andamento. Um deles é da Pontomobi, realizado com com uma empresa de óleo e gasolina que já tem um programa de vantagens estruturado. “Estamos testando a ferramenta em algumas lojas”, diz Percope. “Pelo programa de vantagens, sabemos que determinada pessoa passa pelo ponto de venda três vezes por semana, toma um café e compra um chiclete”, explica. “Se um dia ele não levar o chiclete, podemos mandar uma mensagem como lembrete quando ela estiver no caixa.”

Para Ruffo, não há dúvidas de que os Beacons vieram para ficar. Ele acredita, inclusive, que ele será adotado não apenas no comércio, mas também em eventos, shows, passeios turísticos e culturais etc. “Até nossas casas poderão ser automatizadas com os Beacons”, diz. “Imagine um sensor em sua geladeira, por exemplo, que ao se aproximar dispare o aplicativo do supermercado para que você monte a lista de compras”, imagina. “Ao chegar ao supermercado, o aplicativo pode direcioná-lo às gôndolas dos produtos contidos na lista, oferecendo as marcas selecionadas pelo varejista.

 

 

 

Beacons na prática

 

 

Varejo

Imagine que você está em uma loja prestes a entrar na seção de câmeras fotográficas. O sensor do iBeacon é capaz de detectar a sua proximidade com o produto e, imediatamente, enviar um cupom de desconto diretamente ao seu celular. American Eagle e Macy’s já começaram a implementar a nova tecnologia capaz de converter uma simples visita em vendas.

 

Concessionárias

Com o objetivo de atrair o maior número de pessoas possível às suas lojas, as revendedoras de automóveis devem garantir uma ótima experiência ao consumidor. Graças ao iBeacon, o cliente pode facilmente ter acesso a informações detalhadas, no próprio celular, sobre o carro que ele está olhando no momento. A tecnologia possibilita também comparar dois automóveis diferentes antes do comprador tomar uma decisão.

 

Eventos

Grandes eventos enfrentam um problema comum: fornecer informações precisas sobre localização e direções aos seus visitantes. A solução surgiu com o iBeacon, que pode ser instalado em diferentes pontos do local. O app da ferramenta mostra aos usuários sua localização exata e fornece uma rota, em uma feira de negócios, a qualquer expositor. Ao combinar a tecnologia com o perfil do consumidor, as possiblidades são ainda maiores. Um visitante interessado em um produto específico, por exemplo, pode receber uma oferta relevante no seu celular ao passar por um estande.

 

Marketing de proximidade

iBeacons oferecem a oportunidade de alertar os consumidores da loja no momento em que eles passam por um produto. Também é possível incentivar as pessoas a entrarem na loja por meio de notificações quando elas estiverem na vizinhança. Ao passar por algum aparelho ou departamento, a tecnologia permite que os clientes visualizem informações detalhadas, vídeos e especificações sobre os produtos no próprio smartphone.

 

Lembretes na loja

Caso os consumidores criem listas de compra em seus dispositivos móveis no ambiente de casa, eles receberão notificações para lembrá-los das suas compras planejadas enquanto estão na loja. Assim, esquecer algum produto da lista será quase impossível.

 

Recompensa

Além da estratégia de aproximação, os beacons também contam com um sistema de premiação. Os consumidores ganham pontos ao entrar na loja ou escanear produtos que posteriormente podem ser trocados por cupons. A rede bluetooth dos beacons permite configurar o sistema de recompensa do cliente a fim de entender melhor como o comportamento online e off-line trabalham juntos.

 

 

Mobile payment

Beacons são econômicos e não requerem máquinas de cartão, o que significa que as lojas não precisam investir em uma infraestrutura de alto custo. Com um simples toque, o pagamento é processado; sem cartões de crédito ou fraudes.

 

 

 

 

 

Fonte: Proxxima

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